sábado, 21 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Desfile de Carnaval do Agrupamento de Escolas de Ponte de Sor
O Carnaval celebra-se em países de tradição
cristã. Dura tradicionalmente três dias e começa antes da Quaresma (na terça-feira
anterior ao dia de cinzas).
Existem
diferentes versões da origem da palavra Carnaval. Muitos situam-na na palavra latina
carne vale (despedir da carne - que
não se comerá nos 40 dias de Quaresma).Outras
teorias são peremptórias em afirmar que a palavra Carnaval vem de Carrus Navalis, por influência das
festas em honra de Dionísio, onde
um carro, com um enorme tonel, distribuía vinho ao povo na Roma antiga.
Muitas
das celebrações carnavalescas são bastante mais antigas do que a própria
religião cristã, tendo sido alvo de diferentes manifestações ao longo da
história. No fundo, todos os carnavais são reminiscências das festas
dionisíacas da Grécia Antiga, dos bacanais de Roma e dos bailes de máscaras do
Renascimento.
Os festejos carnavalescos, com o nome de Entrudo,
foram levados para o Brasil pelos portugueses. Durante estes festejos eram
levadas a cabo brincadeiras violentas, com os foliões a lançarem farinha,
tintas e água suja uns aos outros. Estas práticas foram proibidas por lei e,
por isso, passaram a ser utilizadas serpentinas de papel e confetti coloridos.
Aos poucos, o entrudo português foi sendo adaptado, ao assimilar as tradições
africanas. A tradição dos desfiles tem origem nas reuniões de escravos, que
organizavam cortejos com bandeiras e improvisavam cantigas ao ritmo de marcha. Aos
escravos devem-se os ritmos e instrumentos de percussão usados atualmente.
.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Dr. José de Matos Fernandes - A Aula de um Mestre
Trabalhávamos a peça de Luís Stau Monteiro, Felizmente há Luar. Era importante conhecer todo o contexto da
mesma – o tempo da história, o tempo da escrita – o Portugal de Oitocentos, o
Portugal do Estado Novo. “ Professor
vamos para a rua, o calor aperta nesta sala… queremos ar puro!” -
Imploravam os alunos fartos das hermenêuticas claustrofóbicas da matéria
e da monotonia da docência. “ E se vos trouxesse aqui alguém de Ponte de Sor
que vos falasse desse tempo?” – Concordaram!
Contactámos o Dr. Zé : “ Filho, estou muito velho para ir até à
escola e subir escadas…” - Dizia-nos ele
com aquela autoridade e ternura médica… “. - Mas Senhor Doutor nós vimos
buscá-lo! – “ Olha filho se os alunos quiserem vir até minha casa, vou ver se
lhes consigo dizer qualquer coisa.” - Aproveitámos com unhas e dentes a
oportunidade. À hora marcada aparecemos. Ninguém faltou. À porta,
impecavelmente vestido, esperava-nos uma figura ligeiramente curvada que
sorria, com aquela alegria contagiante a impor uma simpatia imediata. - “
Entrem filhos… aqui para o meu escritório.” – Aguardavam-nos algumas cadeiras,
uns bancos e três sofás. Rapidamente fizemos daquele microcosmo uma aula
aconchegada. O mestre numa ponta, visível por todos, voava no maple
entronizado. O silêncio espantado contrastava com o interesse de todos. E
começou a falar! As mãos acompanhavam-no naquela concerto de sabedoria. Com uma
lucidez total, uma lógica apetecível, uma capacidade de comunicação única,
viajou pela história e pelas histórias da história. Contextualizou-nos o
Portugal velho, as primeiras republicas… Livro vivo, fez-nos viajar pelas
incongruências do salazarismo, pelas lutas de Humberto Delgado (a quem esteve
ligado) pelas conjunturas que a história teceu.
O tempo correu célere: “ Fantástico professor, adorei!” –
Segredavam-me os alunos. E o silêncio manteve-se durante a caminhada até à aula
seguinte na escola. O deslumbramento da comunicação fazia-se, ainda, sentir.
Noventa e um anos de imensa sabedoria.
J.T.
In, Jornal Horizontes , Junho de 2011
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