terça-feira, 24 de março de 2020
"Ligeira, inaudível e passageira" - Um poema de Bernardo Correia
A brisa ligeira alivia
Qualquer promessa.
Besta quadrada ou
esférica,
Ignorante ou estéril,
Eu as sou todas e delas
serei. Fértil.
A brisa inaudível corta
O silêncio que nos grita
E forma o fôlego.
Folgo do luto audaz
E mordaz que lhe silencia.
Morto, e mofo.
A brisa passageira não
Tem ponta e ponto
Por onde se pegue.
Tentativa a que lhe segue,
E ainda tateiam o cérebro.
Que me precede.
Ligeira ou inaudível,
Passageira ou verosímil,
A brisa alivia qualquer
promessa;
Eterna ou perene. Sem medo
ou inerte.
Afinal, eu as sou todas e
delas serei.
Espero-te, assim, no Céu
que nos aguarda.
Mas se, porventura, a
brisa se fizer
Tormenta ou mar que nos
cala,
Lembra-me da brisa que se
Avista e em si te cria
como
A brisa e insígnia que és:
Ligeira, inaudível e
passageira.
Bernardo Correia
A quarentena - (ficamos à espera da música)
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A
quarentena
autor música e letra- Prof- Álvaro
Fonseca 20 Março 2020
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1- Veio
directamente da China
Ainda nos quis avisar
Mas ele foi tão rápido
Que não nos podemos preparar
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5- As escolas fechadas
Com os alunos a sofrer
Começou o Teletrabalho
Pra no Futuro Vencer
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2- Luvas,
mascaras e álcool
Fazem falta a toda a gente
Se bebermos até esquecer
fica a mente dormente
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6- Temos tempo pra tudo
Sem saber o que fazer
Não vamos ao restaurante
Temos que em casa comer
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Ref- Quarentena e reflexão
O que será do mundo
Depois da infecção- 2x
confusão
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Ref- Quarentena e reflexão
O que será do mundo
Depois da infecção- 2x
confusão
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3- Ruas
desertas e sem movimento
Outras memorias nos podem
trazer
Chegou a 3ª guerra
Temos que sossegar pra vencer
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7-Os Hiper mercados vazios
Sem resposta alimentar
Se vamos bem cedinho
Ainda nos podemos « safar»
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4- Hospitais
apinhados
Numa grande confusão
Luta-se pela vida
Com empenho e dedicação
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8- A fé nos ajudará
A um final feliz
Aprendamos a lição
Como o Bem o Quis…
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Ref- Quarentena e reflexão
O que será do mundo
Depois da infecção- 2x
confusão
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Ref- Quarentena e reflexão
O que será do mundo
Depois da infecção- 2x
confusão
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"Não estou sozinha", Um poema de Alice Brazete
lá na escuridão que o pensamento comanda
O meu carcereiro de mão dada comigo anda
pelos estreitos labirintos do inferno que não têm fim
Sinto-me quente vestida da minha dor,
rasgada, tocada, trocada pela cova
A mesma vida velha não vai para nova
e ser não só cansa como tresanda
Sinto-me desmembrada, deslocada, descontente
Verdade sei que não se pode ter o que nunca se quis
O meu fado já aceitou que não posso ser feliz,
e eu continuo a cair no grito da minha mente
Sinto-me fraca, tentando escapar à espiral
que agarra lentamente o meu tempo
Quero fugir de mim, fugir do vento
Porque me atormentas/atormento?
Sou o meu final
segunda-feira, 23 de março de 2020
Recordação de infância
Uma tarde cinzenta e fria
de inverno. Os discípulos
estudam… monotonia
da chuva nas vidraças.
É a classe. Num cartaz
representa-se Caim
fugitivo e o morto Abel,
junto a uma mancha carmim.
Com um timbre sonoro e oco
ecoa o professor, um velho
mal vestido, magro e seco,
que leva um livro na mão.
E todo o coro infantil
vai cantando a lição:
Mil vezes cem, cem mil,
mil vezes mil, um milhão.
Uma tarde parda e fria
de inverno. Os alunos
estudam. Monotonia
da chuva nas vidraças.
António Machado (1875-1939)
Tradução nossa
Aberto a toda a Comunidade Educativa
Ilustres Colegas:
Não sei se teremos material suficiente para fazer um jornal
em formato de papel…
Enviem, no entanto, a Vossa colaboração para o mail: 3horizontes@gmail.com
Entretanto
estamos a melhorar o jornal Horizontes online, iremos dar
prioridade a esta forma de comunicação.
Iremos abrir
os comentários na página. Usem, enviem comentários, poemas, reflexões,
trabalhos vossos e dos vossos alunos, ensaios, desabafos…
Divulguem. Queremos que seja um meio de união para toda a
Comunidade Educativa.
SAÚDE
Protejam-se
J. Torres
“Que dias há que n'alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.”
“Que dias há que n'alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê.”
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